Como fazer a gestão do trabalho híbrido sem riscos

Atualizado: 28 de jun.

Tecnologia é um instrumento neutro. Se nos liberta ou aprisiona depende de nossa postura.

Se o trabalho híbrido vai aumentar a produtividade ou o risco do seu negócio também.



Estudos mostram que o trabalho híbrido aumenta a produtividade e traz diversas facilidades, contudo, se não houver consciência e monitoramento, haverá o risco de prejuízos para a empresa.


Em estudo recente, a Microsoft publicou um estudo sobre um fenômeno denominado de "triple peak day" ("dia de pico triplo"). Os pesquisadores desse estudo mostram que tradicionalmente há dois picos de produtividade no dia de trabalho dos trabalhadores: pouco antes do almoço e logo após o almoço. Mas desde a pandemia foi surgido um terceiro pico de produtividade: no final da noite, antes de dormir.


Quase um em cada três trabalhadores está trabalhando um pouco mais antes de dormir, mostra a pesquisa. Foi demonstrado que as pessoas estão utilizando a calmaria antes de dormir para realmente se concentrar, sem interrupções, como no casos de pais e mães que trabalham de casa.


Todavia, os dados também revelam que a indefinição entre trabalho e vida, principalmente com a explosão absoluta de reuniões remotas e o prolongamento geral da jornada de trabalho, não é nada eficiente. Ou seja, o "triple peak day" não é um sinal de produtividade otimizada, mas um sintoma de um trabalho tóxico.


Como fazer a gestão do trabalho híbrido sem riscos?


Para aumentar a produtividade em vez do risco de o negócio ter prejuízos com perda de talentos, afastamentos, burnout ou apenas queda de produtividade, deve ser seguido este passo a passo:


#1 - Mapeie a cultura e como ocorre a comunicação nas equipes.


Essa fase costuma ser ignorada, mas é uma das mais importantes porque toda a estrutura de regras internas precisa ser feita sob medida para lidar com as necessidades reais dos processos internos e das pessoas.


Sem esse cuidado, há grave risco de as medidas serem ineficientes e ainda causar maior atrito entre os empregados.


Também é importante de ser visto como ocorrerá a integração das pessoas, até mesmo diante da necessidade de garantir as mesmas oportunidades de inter-relacionamento. Atualmente, existem discussões sobre como se dará a meritocracia na escolha das promoções, para evitar que haja prejuízo na ascensão profissional de quem esteja menos dias no trabalho presencial.


#2 - Verifique quais são os riscos atuais.


Situações comuns que podem ser mapeadas são como:

  • mensagens enviadas no celular pessoal do empregado;

  • reuniões urgentes sem prévio agendamento como praxe, apesar do modelo híbrido;

  • setor com demandas emergenciais sem plantão de sobreaviso;

  • falta de controle de jornada;

  • e-mails espalhados durante todos os períodos do dia (manhã, tarde e noite), dentre outros.


#3 - Verifique formas de melhorar a comunicação (oportunidades).


Encontrar formas de reduzir os riscos de problemas no inter-relacionamento pode ser feito em conjunto com a implementação de medidas que tornem a comunicação ainda melhor em comparação com o modo como era feita antes da pandemia.


Fluxo de informação é uma das partes mais importantes do negócio, especialmente em vista do ambiente ágil proporcionado pela tecnologia.


Exemplos de algumas soluções adotados por nossos clientes:

  • ferramentas específicas para comunicação corporativa (Teams, Slack, Gsuite etc.);

  • combinar novas regras de "boa vivência" nos projetos;

  • corrigir fluxo de trabalho;

  • sistema digital de controle de jornada.

Em relação ao sistema digital de controle de jornada, recomendamos cautela especial por conta da nova Portaria 671/2021, que trouxe diversas regras para a sua utilização pelas empresas.


#4 - Implemente as Políticas.


Após mapear todos os riscos e oportunidades, o próximo passo é estruturar tudo em uma política que deixe fácil entender COMO a empresa passará a funcionar a partir de agora.


Neste momento, ficará claro quais são os limites do que é aceitável e recomendável, especialmente em relação a questões como ergonomia, prevenção a assédio e boas práticas para desenvolver projetos em ambiente híbrido e eventualmente com comunicação assíncrona.


#5 - Forneça Treinamentos.


Qualquer política que altere os padrões de uma empresa, exige a noção da liderança que estará mudando HÁBITOS.


Hábitos não mudam com simples intenções como se pretende com as "resoluções de fim de ano".


É preciso de estratégia e mais do que um simples documento. Para isso, no processo de gestão de mudança para o "estado desejado", o treinamento com comunicação clara é o passo mais importante.


Do ponto de vista jurídico, as políticas podem justificar punições para quem as descumprir, contudo, se o foco do empresário é garantir o cumprimento do que foi programado para haver maior eficiência dos recursos internos, e não apenas garantir que consiga manter a pena de justa causa, a importância do treinamento cresce exponencialmente.


Treinamento é a parte essencial para garantir a adaptação para os novos padrões esperados e as grandes empresas se apoiam fortemente nessa prática.


#6 - Continue com o Monitoramento.


Se tudo foi feito corretamente, ainda assim é provável que surjam erros.


Somente com o monitoramento será possível se certificar que a mudança foi implementada e virou um novo hábito. Podem ser necessários novos treinamentos ou ajustes - por isso, seja flexível e resiliente para facilitar a mudança.


Seguindo todos esses passos, a chance de a empresa ter uma equipe altamente produtiva (e não destrutiva) é bastante positiva.


Com atenção a esses detalhes, você garante o melhor retorno dos empregados e não afoga o negócio em dívidas trabalhistas.


Quais os principais riscos do trabalho híbrido?

No entanto, vale lembrar que "síndrome de burnout" é considerada uma doença do trabalho atualmente.


"Burnout" significa hoje que se o seu empregado, mesmo que por espontânea vontade, se matar de trabalhar até ter um problema de saúde, quem pagará esta conta é a sua empresa:


Seguem alguns exemplos de despesas que poderão ser arcadas pela empresa:

  • Custos com médico.

  • Indenização por dano moral.

  • Pensão se surgir alguma incapacidade (podendo durar a vida toda).

  • FGTS enquanto durar o afastamento.

  • Plano de saúde e outros benefícios.


O risco com os prejuízos é fácil de calcular. Contudo, o maior prejuízo da empresa é manter um ambiente com pessoas que ainda não chegaram ao ponto do burnout, mas estão desengajadas e com baixa produtividade.


Pouco se fala do custo de oportunidade e do presenteísmo (quem está presente apenas de corpo no trabalho). Por isso é importante estruturar um ambiente equilibrado. Previne afastamento (o prejuízo), e melhora performance (aproveita oportunidade).


Como dizem: é difícil fazer políticas, treinamentos, incentivar e entender as pessoas. Também é difícil arcar com condenações trabalhistas, fiscalizações, alta rotatividade e conflitos. Por esse motivo, nossos clientes são orientados no passo a passo acima para garantir a qualidade do ambiente de trabalho híbrido.



As Políticas de Trabalho Híbrido podem ser implementadas como um programa específico ou um dos pilares do Programa de Compliance Trabalhista.


Nosso escritório está há mais de 10 anos implementando um modelo exclusivo para redução de passivo trabalhista e alinhamento para novas possibilidades de negócio, aliando prevenção com as novas práticas de gestão dentro de um Programa de Compliance Trabalhista.


Estamos também à disposição contato direto pelo WhatsApp, caso queira um retorno ainda hoje com a informação que você precisa:




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